Enquanto o Mundo Explode


Quarta-feira , 24 de Maio de 2006


Andrisa

Depois de um longo e tenebroso inverno. Depois de 6 meses de pesadelo ininterrupto. Depois de tantos caminhos tortuosos que quase me fizeram perecer. Depois de tempos de trevas terem se abatido sobre a minha vida, onde o infortúnio, a incerteza e a angústia imperavam, eu volto a perceber as cores dos jardins floridos e a luz branca do sol da manhã. É impressionante, quando estamos obcecados por alguma coisa, da maneira que eu estive, a cegueira toma conta de nossos olhos. O silêncio domina nossos ouvidos e a amargura corrói o coração. Então a gente não consegue mais ver, sentir, ouvir nada com clareza e temos certeza que chegamos ao fim da linha. Mas acredito que tudo tenha um motivo. Acho que tudo que passei foi absolutamente necessário pra me conduzir a uma nova forma de viver e amar. Agora, eu conheci o amor puro. Conheci a felicidade real e não apenas a euforia. Conheci o amor verdadeiramente fraternal. Agora eu amo a alma de alguém e não somente o corpo e o rosto, que aliás são lindos e eu amo também. Mas amo, sobretudo, as idéias e as divagações. Estou experimentando a sensação de amar e confiar. E também a sensação de poder entregar-me sem medo, tamanho é o bem que esta mulher me faz. Então eu me quedo sereno, pensando, nesse solzinho gostoso das tardes de outono. E o sorriso não sai dos meus lábios. Um pensamento leve e reconfortante não sai da minha mente. Então eu a vejo novamente vindo em minha direção. Abro um grande sorriso e os braços para recebê-la com todo o carinho que ela merece. Seu nome é Andrisa. E eu a amo como nunca amei.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 03h14
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quarta-feira , 03 de Maio de 2006


Acho que nem nasci...

Depois dos pesquisadores britânicos afirmarem que quem trabalha sentado vive 12 anos menos só me resta concluir:

Quem trabalha sentado, fuma, bebe, não pratica esportes e faz sexo sem camisinha NEM NASCE!!!!

Escrito por Edu Beckandroll às 12h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quarta-feira , 26 de Abril de 2006


Inquietação

Uma inquietação estranha me move. Acorda-me no meio da madrugada, me deixa ligado, pensando, pensando... Então de manhã eu sinto muito sono. Culpa desses arroubos de reflexão durante as madrugadas. Essa inquietação vira e mexe me ataca. Ás vezes estou zen, tranquilo. E, de repente, meu coração dispara. Meus ouvidos ficam mais aguçados, minha mente parece descobrir novos detalhes até então despercebidos nas paredes da casa. Então eu começo a pensar em coisas tão distintas quanto um sonho que tive aos dez anos de idade ou o que prepararei para o almoço. Ás vezes penso em quem já morreu. O que será a morte? É a única certeza dessa vida e na realidade ninguém sabe bem o que é. As funções vitais cessam. Ok. Mas e a consciência? Essa coisa tão grandiosa e cheia de mistérios que é pensar. O que acontece com ela? Ela simplesmente cessa assim como o fígado e os rins? Talvez sim. O ser humano tende a se achar grande coisa. Mas acho que ele é. Ou não é? Um átomo no universo ou um ser dotado de alma. Ou as duas coisas? Esse texto é fruto desta inquietação estranha que move a mim e a todos os outros seres humanos. Essa inquietação que faz amar e odiar. Destruir e construir. Embelezar e enfear. Não tem escapatória, a inquietação humana gera todas as dualidades da vida.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 23h29
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quinta-feira , 20 de Abril de 2006


A solidão

A solidão é o que há de mais amedrontador em nossa passagem por esse mundo. O medo de ficar só, de que ninguém te queira, de que ninguém te aguente é algo que dói fisicamente, é algo que apavora criancinhas e velhotes, é algo muito, mas muito assustador. Durante a minha vida eu nunca havia pensado a sério nessa hipótese de ficar só e hoje, depois de tantas reviravoltas e acontecimentos dolorosos eu sinto mais do que nunca que ela, a solidão, será, ironicamente, a minha única e fiel companheira daqui para a frente. Na realidade, eu almejei a solidão durante muitos anos. Enquanto todos me convidavam para algum programa eu inventava mil desculpas e ficava com a cara enfiada num livro ou tocando violão. Eu gostava muito de ficar só. Quando meus pais saíam de casa e a casa apresentava-se toda minha eu sentia um prazer raro. Eu sentia-me livre, sem regras, solto, feliz, só... Ao contrário do que acontece hoje. Quando me percebo sozinho sinto uma grande angústia, uma pressão no peito que não passa com nenhuma dose dupla de uísque. Essa angústia então caminha por todo o meu corpo como se fosse um fluído injetado diretamente em minhas veias e eu sinto a sua presença em todo o meu ser. Fico com medo. Sinto medo de morrer. Sinto medo de enfiar uma bala nos miolos. A sorte é que eu não tenho uma arma. Ao contrário de Kurt Cobain que gritava "No, I don´t have a gun!!!" em "Come as you are". Ele possuía uma arma sim e veio de fato a estourar a cabeça. O medo de ficar sozinho é o pior de todos. Pois o nosso egoísmo, característica principal do ser humano, não pode tolerar que ninguém nos queira por perto, não pode aceitar que sejamos um fardo feio e pesado demais que merece o fundo escuro de um porão. A solidão é o atestado do fracasso da capacidade de se relacionar com as pessoas. E por isso ela mete tanto medo. A solidão é a pena dos desgraçados.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 00h07
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quarta-feira , 19 de Abril de 2006


Não sei viver

Viver é algo difícil. Nunca se agrada a todos ou a si mesmo. Como diz aquela música legal que o Wander gravou "Não sei viver". É bem por aí. Às vezes sinto-me num mundo estranho, rodeado de pessoas e atos estranhos. Será que o estranho sou eu? Será que eu não sou desse mundo? Questões, indagações filosóficas. Isso realmente não leva à nada. Eu prefiro conversar sobre amenidades "será que chove?" Assim eu sofro menos e causo menos sofrimento. Eu não sei o que há de errado comigo, de repente ligo uma metralhadora giratória de palavras e atinjo pessoas que gosto com elas. Apesar de palavras serem somente palavras são elas que constroem o mundo. "E o verbo se fez". Frequentemente sinto-me deslocado, sem saber como agir, sem saber o que falar então é nessas situações que sempre enfio os pés pelas mãos e cometo alguma gafe. Ora, cometer gafes, dirá o leitor, é algo tão em voga nesses tempos, nosso presidente vive a cometê-las. Mas sei lá, sinto-me fracassado devido a essa inaptidão natural para viver. Fico nervoso ao atender o telefone ou quando recebo um email. Será que não é o caso de eu transferir-me para uma floresta? Ou para uma gruta? Talvez seja mesmo. Mas acabo pensando nos mosquitos então desisto logo da idéia. Definitivamente, não sou um ser social. E muito menos um ser normal ou convencional. Mas acho que já me acostumei. Não sei como agir muitas vezes, mas estou acostumado. Realmente, viver, apesar de muito bom, não é nada fácil.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 20h56
[ ] [ envie esta mensagem ]

Terça-feira , 18 de Abril de 2006


Dostoievski

"Na verdade, quando estamos infelizes, sentimos com maior violência a infelicidade dos outros; o sentimento não se destrói, concentra-se..."

Noites Brancas, Dostoievski

Categoria: Marca Texto
Escrito por Edu Beckandroll às 14h45
[ ] [ envie esta mensagem ]

Domingo , 09 de Abril de 2006


Minha Morte

será que eu nunca vou morrer de uma bala perdida?
será que nunca ninguém vai me jogar nos trilhos do trem?
terá o meu nome a terrível marca de uma longa vida?
por que cargas d'água ninguém nunca vai me despachar para o além?
e nem o cigarro, a bebida e as mulheres me transformarão em ninguém?

será, será...
que minha morte vai ser televisionada?
será capa de revista?
primeira página, ou manchete popular?
será que ficarei estatelado na calçada?

será que eu nunca vou tomar por engano estricnina?
ou na madrugada ser sufocado com uma almofada?
será que eu nunca vou morrer de uma doença sem vacina?
será que eu nunca vou enfiar os dedos na tomada?
ou será que minha cabeça vai ser decepada???

Categoria: Letras
Escrito por Edu Beckandroll às 08h45
[ ] [ envie esta mensagem ]

Voltaire

"Inexplicáveis humanos – exclamou -, como podeis reunir tanta baixeza e grandeza, tantas virtudes e crimes?"

Trecho do conto "O Mundo Como Está" de Voltaire

Categoria: Marca Texto
Escrito por Edu Beckandroll às 08h43
[ ] [ envie esta mensagem ]

Resolução

Durante muito tempo em minha vida me relacionai com pessoas vulgares, mentirosas, sem valor algum. Virei a cara para velhos amigos e os troquei por essa gentalha nojenta. Resolvi mudar isso. Depois de muito quebrar a cara com pessoas que não mereciam minha amizade acho que aprendi a lição. Não se abandona amigos leais e sinceros por pessoas que fingem o tempo todo. Então procurei os velhos amigos e me livrei de toda e qualquer "amizade" nociva a mim e à minha família.

Ao mesmo tempo que guardo grande mágoa de muitas pessoas aprendi que o melhor que tenho a fazer é perdoar. O perdão é o grande segredo para a felicidade nessa vida. De nada adianta guardar rancor, esperar vingança. De nada adianta mesmo. O melhor é perdoar é esquecer. A alma agradece.

Sobre amigos da internet

Estive falando sobre amizades "reais", agora falarei um pouco sobre meus amigos "virtuais". Conheci grande pessoas na internet. Pessoas iluminadas, de grande coração. Obviamente conheci muita gente podre, mas destes já me afastei faz tempo. Hoje em dia guardo no coração aqueles amigos queridos que mesmo sem conhecer pessoalmente fazem parte da minha vida. E estes sabem quem são. Bom, decidi usar a internet o mínimo possível, somente para trabalho e pesquisas. Não usarei mais para me relacionar com ninguém. Sei lá, posso ser criticado por isso, talvez seja uma decisão radical, enfim... Mas é o que meu coração sente e é o que preciso fazer. Não usarei mais o msn, peço desculpas a todos os amigos que sentirão saudades, eu também sentirei, mas saibam que estarão todos comigo sempre e nunca serão esquecidos. Quanto ao orkut, estive decidido a deletá-lo, mas não farei isto por causa de todos os depoimentos que muito gentilmente meus amigos escreveram pra mim. Vez que outra entrarei lá e então darei um sinal de vida.

Muita paz e amor.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 08h42
[ ] [ envie esta mensagem ]

Quinta-feira , 06 de Abril de 2006


Embrutecido

“A morte está espreitando. Eu sinto que ela vem e vai. Parece que me observa e se compraz com o meu sofrimento. Parece também adivinhar que sei de sua presença e isto a deixa ainda mais contente.”

 

Embrutecido

 

Ando extremamente deprimido e são várias as razões. Nos últimos anos deixei-me embrutecer terrivelmente pela vida. Igualmente, da vida levei fortes a atordoantes porradas. Perdi um amor por minha única e exclusiva culpa, devido à minha horrível  angústia de viver, de estar sempre fazendo algo, mesmo que na maioria das vezes toadas estas atividades estivessem somente me levando ao fundo do poço e não me engrandecendo de forma alguma. Recuperei este amor, mas hoje ela vê que talvez eu ainda seja o mesmo. O mais difícil é perceber que sou um homem desacreditado. Minha palavra não vale nada, pois a vida, os fatos sempre mostrarem que mais cedo ou mais tarde todas minhas promessas ruíam. Sou um homem de vícios. Vicio-me facilmente em drogas, mulheres, atividades repetitivas, pensamentos obsessivos, álcool, dormir, etc, etc, etc... Ando, no fundo desta depressão, refletindo sobre todos os erros que cometi nos últimos anos e o principal deles, agora está claro para mim, foi deixar-me embrutecer. Logo eu, que sempre fui um cara extremamente sensível. Hoje em dia o canto dos pássaros não me emociona tanto quanto um copo cheio de cerveja gelada.  Isto é mau. Não quero mais esta vida. Estou hoje com 27 anos e sinto que vou morrer se não fizer nada. Acho que preciso me espiritualizar. Estou tentando isso. Tenho rezado em algumas dessas noites que não consigo dormir. Incrivelmente ainda sei rezar. Mesmo que algumas palavras das velhas orações cristãs fujam da minha cabeça por alguns instantes eu acabo as reencontrando logo em seguida. E as orações têm me apascentado. Penso em Cristo e procuro perdoar. Outro grande erro de minha vida foi guardar rancor, querer vingança, odiar, odiar, odiar... Quando o segredo deste mundo é o amor. Muitos dos meus ídolos morreram com esta idade que estou : vinte e sete anos. Será que é apenas uma crise de alguém profundamente afetado e influenciado pelo rock’n’roll? Ah, como eu gostaria que fosse. Mas não é. É o preço da vida vazia e sem sentido que levei nos últimos anos. Vida essa que me fazia ser capaz de preferir uma carreira de cocaína do que assistir o sol nascendo com o chimarrão do lado. Preciso me dedicar mais às coisas que realmente importam na vida. Devo me afastar das futilidades. E já estou fazendo isso. Espero que dê certo.

Categoria: Diário
Escrito por Edu Beckandroll às 09h45
[ ] [ envie esta mensagem ]

Oscar Wilde

Esses dias eu estava lendo novamente um conto do Oscar Wilde e me deparei com essa passagem:

 

“ - Não compreendo suficientemente as mulheres, - respondeu-me

  -Meu querido Gerald, - retruquei – as mulheres fizeram-se para ser amadas, não para serem compreendidas.

 - Não posso amar sem confiar, - tornou ele.”

Categoria: Marca Texto
Escrito por Edu Beckandroll às 09h44
[ ] [ envie esta mensagem ]

Sexta-feira , 24 de Março de 2006



Discurso de um puxa-saco que ganhou na loteria

No meio da palestra um homem franzino e com grandes óculos de armação espessa e preta sobe à tribuna e urra a um fôlego só:

Seguinte: eu não tô ligando a mínima pra o que falam ou pra o que deixam de falar sobre mim, tá ligado? Eu quero mais é que esse mundo, vocês todos vão é se fuder, porque na hora do pega pra capar ninguém veio em meu auxílio. Estou por aqui com vocês! Não quero saber de ninguém mais. O que eu quero é sair por aí sem precisar dar satisfação pra ninguém sobre o que eu faço ou eu deixo de fazer. E isso, meus amigos, quer dizer meus FALSOS amigos, eu já estou cansado de fazer! Entenderam?! CANSADO! Não dou bola pra nenhum pensamento que possam ter a meu respeito, eu não quero nem saber. Eu vou em frente e mando bala. Eu faço o que eu quero, tá ligado? Vocês podem me criticar, dizer que sou megalomaníaco e que me acho suficiente. Digam qualquer coisa! Mas não encham o meu saco querendo ser meus amigos, ok? Eu não tenho nenhuma pretensão de fazer nenhum amigo novo pelos próximos 1000 anos! Vocês ESTÃO ligados?! Eu quero mais é torrar a minha grana sozinho. Totalmente livre e independente para fazer o que eu bem entender. Se eu quiser pagar um travesti para me comer, se eu quiser jogar mil reais na privada e dar descarga, se eu quiser tocar fogo numa maleta recheada de doletas, e daí? Alguém por acaso tem algo a ver com isso? Alguém tem?! Claro que não porra! Essa é a tal liberdade que tanto afirmam existir no Ocidente? É? Gozado é que nesse momento não aparece nenhum machão para responder, não aparece ninguém com peito o
suficiente para me contestar. Seus merdas!

Mostrou a língua, a bunda e entrou na sua nova limousine.

Escrito por Edu Beckandroll às 02h33
[ ] [ envie esta mensagem ]

Segunda-feira , 20 de Março de 2006



Meu Amigo Pato

De como um pato escapou da morte pela intervenção de um bêbado com bom coração

Era uma dessas tardes agradáveis demais, com temperatura amena, sol radiante e gostoso que estimula a prática esportiva e a convivência alegre e saudável com os amigos.  Pois neste dia, numa pequena cidade do sul do Brasil, um pequeno grupo de amigos resolveu dedicar aquele belo dia de descanso e farra ao futebol e à beberagem.

Sim!, pois é muito comum que os grupos de amigos reunam-se para beber e praticar esporte, por mais que os velhos rabugentos e obcecados pela boa saúde esbravejem e vejam nisto uma incoerência monstruosa. Ora! Mas que graça há em praticar o velho esporte bretão se não houver umas doses a mais na cuca? Ao meu ver, nenhuma graça, afinal o álcool conforta o espírito, alegra as conversas e transforma as partidas amadoras de futebol na mais estupenda final de copa do mundo.

Posto que estava tudo planejado acerca do jogo e do que iriam beber, passaram a conferenciar sobre o que preparariam para o jantar, pois era claro que após tanto esporte e tanta bebida seus estômagos estariam praticamente colados às costas e seria necessária uma refeição vigorosa e nutritiva para coroar de êxito este belo dia de diversão e camaradagem. Decidiram-se finalmente de que o banquete seria composto de uma bela carne de pato acompanhada de arroz e saladas. Ah! Que maravilha, mal podiam esperar o final do jogo para saborear esta pantagruélica e nababesca confraternização entre amigos bêbados.

Mas logo fez-se claro um pequeno problema: a carne do pato é muito dura, então era mister a intervenção de algum dos membros da equipe com o objetivo de fazer o pato beber algumas doses de aguardente para que sua carne fosse amolecendo aos poucos e que na noite, na hora de ser assado e servido, estivesse macia e suculenta como o mais delicioso manjar divino. Puseram-se novamente a conferenciar e democraticamente incumbiram um dos rapazes desta nobre e importante função: embebedar o pato, que alheio ao que se planejava contra si, teria sua carne amaciada e em condições de ser servida para jogadores bêbados, cansados e famintos.

Como todos os detalhes estavam resolvidos a turma dirigiu-se ao campo, entre cantorias, beberagens, algazarras e firulas, enquanto o rapazote diligentemente punha-se a executar sua tarefa.

Como se estivesse um pouco entediado resolveu acompanhar o pato na bebedeira. Abria o bico do pato, jogava um pouco de cachaça lá pra dentro e bebia também um grande gole para acompanhar o bicho. E este ato, consciencioso que era o rapaz acerca de sua nobre missão, repetiu-se dezenas de vezes, enquanto a partida de futebol desenrolava-se não muito longe dali e a imagem do pato sendo servido não saía da mente dos bravos jogadores.

As horas se passaram e como os jogadores a esta altura já estavam famintos e desejando repousar, decidiram então encerrar a partida e rumaram  com os passos firmes até o pequeno local no qual seria servido o delicioso pato. Ao chegarem à casa, logo estranharam, pois o rapaz estava sumido e o pato, que neste momento já deveria estar saindo do forno, estava na realidade totalmente intoxicado pelo álcool que bebera, vomitando e defecando a cada dois passos, completamente zonzo e sem moral.

Uma cena deprimente, o pato completamente arrasado pelo álcool.

Nisto, alguns mais impacientes já começavam a soltar grandes e graves impropérios em relação ao rapazote que não havia cumprido sua missão e ainda por cima desaparecera. Estavam todos famintos e houve um princípio de motim entre os rapazes, exigindo que o pato fosse assado imediatamente. E isto causou uma espécie de frenesi entre o grupo e um dos rapazes dirigiu-se ao pato com o intuito de pegá-lo o mais rapidamente possível para logo vê-lo no fogão.

Então, naquele momento, desfez-se o mistério do desaparecimento do rapaz encarregado de inebriar o pobre pato:  ao perceber as intenções funestas de seus companheiros em relação à pequena ave, saiu do banheiro onde recuperava-se do porre e falava com o ar mais convicto e sério do mundo:

- Ninguém bate no meu amigo!

E pôs-se a abraçar, acariciar, beijar o pobre patinho, diante do olhar estupefato e incrédulo de todos os seus companheiros. Os companheiros em vão tentaram argumentar,  o jovem repetia categoricamente que ninguém ousaria tocar no seu amigo e com os olhos marejados sensibilizou a todos os bêbados jogadores, que contentaram-se em comer arroz e salada e até passaram a achar muito gracioso o pequeno patinho.

E foi assim que este pequeno e afortunado pato escapou de uma inglória e degradante morte no forno, graças a amizade de um bêbado com bom coração. E por anos e anos os dois ainda tomaram muitos porres juntos.

Escrito por Edu Beckandroll às 03h14
[ ] [ envie esta mensagem ]

Sexta-feira , 17 de Fevereiro de 2006


Bundas

Né por nada não, mas a bunda do John é muito mais gostosa.

Escrito por Edu Beckandroll às 05h11
[ ] [ envie esta mensagem ]
Busca na Web:

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Homem


eXTReMe Tracker